quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Um ser devorador



De dentro, de dentro, de dentro
Em mim
Cansada de superficialidade
De pouca força de vontade
De quase nada de tesão.

Vá! Entre fundo
Penetre,
Invada,
Introduza,
Intrometa-se,
Dentro de mim!

De dentro, de dentro, de dentro
Em mim!

Não quero
Meio dentro!
Não quero
Meio fora!

Rasgue-me!
Escancare-me!
Faça tudo,
Mas não me faça não sentir!

Faminta,
Sedenta,
Ávida!
Um ser devorador
Mora em mim!

De dentro, de dentro, de dentro
Em mim!

Faça parte
De mim,
Como o sangue
Que mora em minhas veias...

Entre,
Entre!
Entre,
Dentro de mim!

Destrói essa tensão
De dois seres
Em distinta direção

E se encaminhe;
Caminhe
Dentro de mim!

Te banhe
Com todos os líquidos do meu corpo.
Faça parte!
Faça parte
Das substancias
Que me dão vida,
Das que me permitem
Existir!

De dentro, de dentro, de dentro
Em mim!

Vem, mostra tua força!
Enverede-se!
Embrenhe-se!
Desnude-se
Em mim!

Deságua
As tuas saborosas
Águas,
Fecundando a terra
Que guardo
Interna
Em mim!

Rasgando-me
Em nervos,
Em pele,
Em Cascas!

Só não me faça não sentir!

Quero
A intensidade
Que há em ti!

De dentro, de dentro, de dentro
Em mim...


(Mulher Mística 1)


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